Remember Amsterdam

A semana passada parti rumo a um reencontro e à descoberta de uma cidade completamente nova.

Amsterdam!

Onde perdi a luta contra o frio, pelos meus queridos dedos. Onde me apaixonei pelos museus. Onde me perdi e me reencontrei. Onde assisti a um acidente de bicicleta. E, estranhamente (ou não), onde vi a Rainha. E eis as provas do crime.

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“Que amor é este que me faz ir e voltar, Lisboa?”

Lisboa menina e moça fez-se senhora,

E no cimo de cada colina o mesmo esplendor de outrora.

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Lisboa não vejo a hora

De ver o sol beijar os teus telhados.

Perder-me pelas tuas ruas, becos, cantos e recantos.

Ouvir o teu fado e o teu movimento,

Parar para sentir o vento.

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Lisboa menina e moça fez-se mulher,

E entre os seus bairros só não se perde quem não quer.

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Lisboa conto as horas

De ver a chuva banhar a tua calçada.

Perder-me pelas tuas multidões, de locais e passageiros.

Ouvir o rio cantar a tua alma,

De cidade que nunca perderá a calma.

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Na Boca do Inferno

Nada melhor para provar a propensão ao risco do que desafiar a gravidade e as alturas pela costa de Cascais, em busca da Boca do Inferno. E pelo caminho recordar aquele amor e calma que só o mar sabe transmitir. Ver o infinito onde o mar e o céu se encontram, sem nada para atrapalhar o seu abraço, sem hora de partida nem pressa de chegar. E enquanto o sol de inverno aquece tudo volta a ter nexo.

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Clube do livro – O inverno do nosso descontentamento

Há uns tempos senti vontade de descobrir escritores norte-americanos – daqueles antigos que retratam o encanto dos EUA e o auge do sonho americano.

John Steinbeck chamou-me à atenção com O inverno do nosso descontentamento. Uma crítica social, uma balança de valores e desejos, tudo envolvido numa narrativa cativante, que nos conduz construindo as pedras do caminho e retirando-as com a mesma velocidade.

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Acompanhei o percurso de Ethan – o homem honesto e trabalhador, descendente de uma família rica e com estatuto, mas que se encontra na falência, depois de alguns erros seus e dos seus antepassados. Subitamente uma nova carta surge sobre a mesa – a da riqueza eminente – e Ethan só tem de querer jogar, e mais do que isso, jogar com prudência. Assim tem início a luta interna e a metamorfose do protagonista, que revê tudo aquilo em que acredita e valoriza.

Steinbeck conduz-nos como marionetas num jogo de personagens, acontecimento e planos que inquietam. E eu como leitura fui! Fui tanto que me perdi no fim. Já começa ser costume os livros deixarem a janela final aberta. E a realidade é que ainda não consigo lidar muito bem com isso, e muito menos quando ficam tantos pontos por ligar, com mil e uma combinações possíveis.

Clube do livro – Sonhos azuis pelas esquinas

Devorado em menos de um dia, Sonhos azuis pelas esquinas de Ondjaki. O autor angolano com 38 anos tem vindo a destacar-se, ganhando até diversos prémios.

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O livro retrata memórias das suas viagens. Cada local é uma estória. Cada pessoa é um aprendizado. Cada cidade tem o seu mistério. E cada esquina tem sua poesia.

“Para onde eu vou”. “Ferve a luz”. “Sonhos azuis”. “Guardamos o lugar”.

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Foi o primeiro livro que li do autor, e deixou aquele gosto de “quero mais”. Pela leveza da escrita. Pelo sentido e sentimento que põe em cada frase. Pela forma maravilhosa de tornar um encontro banal em algo inesquecível.

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“na minha varanda ouço o mar. o passarinho provoca as ondas, as pedras beijam a água. quero só esta visão de sonho repousado no meu olhar.”

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“se me deito entre o teu olhar e a sombra densa da madrugada, adormeço. e que pesadelo bonito tenho ao frequentar o teu sono, aí onde dormes quieta e leve, de curta penugem vestida e pele doce a acompanhar-te o corpo.”

Clube do livro – O Teorema de Katherine

Já começa a ser hábito ler os livros do John Green (roubados do quarto da minha irmã) e enquanto a lista continuar aqui estamos. Desta vez foi O Teorema de Katherine, lendo-se na capa “O primeiro amor após 19 tentativas vãs”.

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19 tentativas vãs realizadas por um rapaz, Colin, com 19 raparigas, todas chamadas Katherine – e aqui já ficamos a saber que ele só pode ter algum tipo problema estranho. Há quem só goste de loiras ou só de baixinhas, ele só gosta de Katherines. Uma criança prodígio que sonha ser um génio, importante, relembrado, mas que se depara com a possibilidade disso nunca acontecer.

A aventura começa após ter sido deixado pela 19ª Katherine. E que aventura! Um Verão de auto-descoberta, uma última busca pelo seu momento “Eureka!”, mostrando que uma roadtrip tem tudo para mudar o rumo da nossa vida.

Clube do livro – Brida

Brida de Paulo Coelho faz-nos mergulhar num mundo de magia, onde as feiticeiras prolongam a Tradição da Lua, e os magos, a Tradição do Sol. Onde as pessoas têm um dom, e devem não só descobri-lo, mas também compreender como o podem, e devem, usar para o bem do mundo.

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Acompanhamos a trajetória da jovem Brida, de 21 anos, neste novo mundo que ela vai descobrindo a cada dia, enfrentando os mistérios e as questões que enchem a sua mente. E neste processo descobre-se, o seu dom, a sua outra parte e os seus mestres. A sua vida nunca mais será a mesma. O seu mundo nunca mais será o mesmo.

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Clube do livro – Kyoto

Yasunary Kawabata venceu o Prémio Nobel da Literatura em 1968, e Kyoto é considerado a sua obra-prima.

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Conduz a história de Chieko, uma rapariga adotada cujos pais possuem uma loja de tecidos e quimonos à beira da falência. E o livro transporta-nos para vários temas – o bloqueio artístico do pai sem inspiração para criar mais tecidos, o amor impossível e as relações de conveniência, a surpresa perante o passado, entre muitos outros, sendo que o principal é a tradição, talvez daí a escolha pela cidade de Kyoto, tão reconhecida por essa mesma tradição e pelo contacto constante com os rituais.

Estamos no período pós-guerra, depois da retirada das tropas americanas, com a nova ocidentalização dos atos e a ruptura com algumas tradições consideradas imporantes, e que Kawabata retrata de forma excepcional. E mais: conduz-nos delicadamente entre as estações do ano, retratando as flores de cerejeira, os pinheiros, as montanhas de uma forma suave.

O final do livro matou-me um bocadinho – como já tem sido costume – por me deixar ainda com mais perguntas, e mesmo que este tenha sido o objetivo de Kawabata, fogo! uma pessoa precisa de respostas!

“- Não tens um modo pessoal de pensar?

– Talvez até o tenha em demasia…

– E reprime-lo?

– Às vezes não.”

Clube do livro – Coração das trevas

Joseph Conrad com O coração das trevas, um romance do período colonial, com um estilo muito próprio.

Charles Marlow, navegador inglês, conta uma historia dos tempos em que navegava pelo rio Congo, a mando de uma companhia belga. Retrata os obstáculos que encontrou, a forma como o desejo pelo marfim e pelo poder mudavam as pessoas, e as loucuras que o calor do continente causava.

Uma leitura relativamente fácil, mas começo a perceber que não é o meu gênero literário preferido, portanto por vezes fica um pouco pesado demais. Também exige alguma concentração para separar as várias fases das viagens e das diferentes narrativas.

“Sentimentos delicados, disseram? Ao diabo com os sentimentos delicados!”

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Dor

 

Passa-se um dia e outro dia
À espera que passe a Dor,
E a Dor não passa, e porfia,
Porque trás dia, outro dia
Que traz Dor inda maior;
Porque embora a Dor aflita
Calasse há muito seus ais,
Ainda, fundo, palpita
Uma outra Dor que não grita:
A Dor do que não dói mais.
Francisco Bugalho.