Diário de um dia de greve

Este texto foi escrito durante a viagem de transportes de hoje, desfrutem do diário de um dia de greve. 
8.30h da manhã. A ir para a faculdade num trajeto um pouco mais do que estranho: autocarro e metro. 
Porquê? Porque a CP decidiu fazer outra greve!

Ainda não cheguei a meio do meu percurso de autocarro e já vejo a hora da aula aproximar se. Por esta altura as pessoas já começam a ficar chateadas, porque o autocarro já está sobrelotado.
Estive aqui a pensar que durante a “mítica semana  de greve da cp” separam-se dois grandes grupos de vítimas: os passageiros e os trabalhadores de outros grupos de transporte.
Vou começar pelo fim, até porque é o que estou a ver neste momento. Os motoristas dos autocarros da LT/Vimeca, que eu nunca vi fazer greve, diga-se de passagem, levaram com autocarros sobrelotados, pessoas chateadas e mal educadas, e todo o desgaste emocional e stress que disso advém. Os do metro estão um pouco mais resguardados mas também foram influenciados.
Será que os senhores da CP acham realmente que a sua luta pelos direitos ou lá o que eles andam a fazer é mais importante que os direitos dos seus colegas de profissão? Será que uns têm de morrer para os outros poderem ganhar? E pior! Será que os que estão a morrer foram questionados se queriam ser os sacrificados?
8.37h da manhã. Uma criança ia ficando presa da porta do autocarro. Dá que pensar, não? 
E aqui entram as outras vítimas: os passageiros (quase literal demais perante os acontecimentos).
As pessoas ficam chateadas e é completamente normal. Têm de mudar as suas vidas por causa disto. Eu acordei às 7 horas da manhã para ter uma aula às 9.40h. Normalmente, apanho o comboio das 9h, que me dá tempo suficiente de chegar sossegada à faculdade. Hoje perdi horas de sono necessárias. E como eu já muitos mais, alguns até em situações piores.
As pessoas pagam passe, compram bilhetes. Estão à espera de receber o serviço pelo qual pagaram. Normal, é a base da nossa economia… E de repente mudam o contrato e não lhes dão opção. E o que resulta? Revolta.
E depois descarregam em quem aparece: família, amigos, condutores dos autocarros, táxis (o que conseguirem arranjar), senhores da CP quando os apanham.
Mas depois são más… Porque eles estão a lutar pelos seus direitos e blá blá blá. E então e o direito ao transporte? Também está definido na lei. E então e um pouco de ética? E não marcar uma semana de greve (férias forçadas, chamo-lhe eu) na altura da Páscoa? Pois… Lá está…
Eu sou apologista de que as pessoas devem sim lutar pelos seus direitos, mas tudo com bom senso. Uma semana de greve sem serviços mínimos é ridículo! E fazerem outra poucos dias depois também! Não chegou? Qual é o direito que querem desta vez?
8.48 horas da manhã.  Já mais perto do metro, mas ainda tão longe (por causa do trânsito, mas já falo disso). A esta hora estaria a sair de casa. Not today. 
As pessoas que têm carro, claro, levam-no! Porque podem e conseguem, porque não querem esta palhaçada em que se tornam os outros meios de transporte públicos. E  o trânsito fica infernal. Uma viagem simples torna-se um pesadelo e ninguém anda. Os semáforos não ajudam. Os cruzamentos não ajudam. Nada ajuda. Quem sai mais cedo (para não apanhar trânsito) apanha os “amigos” que pensaram no mesmo, e quem vai mais tarde (porque teoricamente o trânsito já passou) apanha os que pensaram da mesma forma. Não há salvação possível.
9.10 horas da manhã. No metro, tranquilo que já não é hora de ponta, e com sorte por entrar no terminal. Mas há que mudar de linha… 
9.31 horas da manhã. Na estação do Marquês de Pombal. Apanha-se ou perde-se o metro por um segundo. Hoje foi a primeira opção. E ainda bem. 
9.53 horas da manhã. Cheguei finalmente à aula. Atrasada. Claro está. Só de pensar que há uma viagem de regresso aperta o coração. 
20.21 horas da noite. Guess who’s back no metro? Uma longa viagem se avizinha. E depois de um dia cansativo. E com uma frequência amanhã. 
21.54 horas da noite. Finalmente em casa. Farta, fartinha disto. Cansada e com horas de vida perdidas. Há que dizer “Obrigado CP, I love you.”
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