Abismo de palavras

“A densidade de um texto é diretamente proporcional à profundidade do abismo que existe dentro do escritor.”
Sereno

Escrever, pôr as coisas no papel, é torná-las realidade. É confessar o que penso, o que sinto, o que quero. Confessar, primeiro a mim mesma, é o início da caminhada para encarar a realidade, aceitar que ela existe e que tenho que lidar com ela.

E quantas vezes se sente tudo e não se diz nada?! Porque as palavras também saem vazias: demasiado simples para confusão que impera a mente, e demasiado confusas para a simplicidade da alma.

Não se enche um abismo com palavras, e ao mesmo tempo, ele é constituído exatamente por isso.

Um texto é a análise completa do seu escritor. Raio X. Microscópio. TAC. Telescópio. Permite-nos ver mais longe, ler nas entrelinhas, imaginar as palavras não escritas e/ou mudadas. Psicoanálise.

Cada verso é um verso, cada pensamento é um pensamento. Únicos.

Quanto a mim, nem sempre me sinto pronta para me expor, porque nem mesmo eu compreendo o que se passa aqui dentro. E já sou transparente o suficiente, já digo tudo sem precisar de palavras. E como disse confessar é o primeiro passo para encarar a realidade, e não sei se estou pronta para isso.

Há um abismo sim, que nem nós conhecemos por completo. E que é feito de palavras e silêncios. Uma simples confusão.

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