Fragmentos de ti, mentiras em mim

Às vezes acho que gosto de sofrer. Por ti. A racionalidade costuma ser o meu forte, mas nunca no que toca a ti. E a saudade mata, em silêncio, vai corroendo todos os órgãos do meu corpo e depois a minha mente.

Oiço a razão, mas nunca no que toca a ti. Em ti, a razão fica no lado de fora da porta. Senta-se perto dela, e geme por não conseguir fazer-se ouvir. E nós, do lado de dentro, rodopiamos numa mentira de um “nós” que nunca existiu.

Parece que gosto de sofrer por ti. Gosto de relembrar-te, mas hoje isso torna-se cada vez mais difícil. Até porque o som da tua voz evaporou dos comandos da memória, bem como a cor dos teus olhos e o teu cheiro. Já não sei como soa a tua gargalhada. Já não sei como sorris. Mesmo assim, faço de tudo para me recordar, transformando-te numa mentira criada no interior do meu ser, com fragmentos de ti, e pedaços do que eu penso que és. Uma mentira, sem fim.

E então vou deixando de sentir saudades tuas, na realidade do teu ser, e passo a sentir saudades deste ser imaginário criado pelo meu subconsciente. Tu nem sabes o que eu dava para sentir saudades tuas, em toda a realidade que te encobre e em tudo o que és, desde o som real da tua voz, à cor indecifrável dos teus olhos, à melodia da tua gargalhada sincera. Mas, por enquanto, vou sofrendo, silenciosamente, por um fruto da imaginação, um híbrido do que foste e do que penso que és. Quem me dera saber quem és…

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