Aventuras no Centro de Saúde

Para a inscrição na escola de condução precisava de levar um atestado médico, algo que pensei ser super simples e rápido, mas que começou uma aventura matinal no Centro de Saúde.

Primeiro é importante referir que eu não sou uma pessoa que vá a hospitais, nem centros de saúde. Nós levamos uma vida um quê de alternativa, quando se pensa na realidade da sociedade que por uma gripe ou uma febre está plantada dentro do hospital. Não tomamos medicamentos, até porque não precisamos, e a nossa saúde nunca precisou de cuidados desse tipo. Por isso, para mim ir ao hospital é uma aventura.

Fui com a minha mãe, até porque não percebo o funcionamento daquilo, e se fosse sozinha provavelmente desistiria a meio. Acordámos cedo, e fomos. É um centro de saúde que se encarrega dos habitantes de cerca de 3 freguesias, e portanto, imaginem a quantidade de gente que lá estava. Nós não temos médico de família, até porque isso nem faria sentido, por isso esperamos mais.

Foi, no mínimo, interessante ver a forma como as pessoas reagem. As longas horas de espera, o stress à flor da pele, a expetativa e os problemas de saúde realmente mostram o pior das pessoas. Perdi a conta de quantas pessoas tentaram começar uma discussão, não só com os trabalhadores, mas também com os outros pacientes. E eu ficava ali a pensar :”isto é o apocalipse!”, e perguntava à minha mãe se podia filmar se eles começassem à luta. E juro que estive quase a ver isso mesmo. Uma das senhorinhas chegou a pedir o livro de reclamações, porque queria as senhas amarelas, e não a verde, porque as amarelas eram dela, mesmo que já tivessem acabado. Outra estava sempre a ir ter ao balcão quando não era o número dela, e o senhor mandou-a sentar inúmeras vezes.

Acho que é preciso ter sangue frio para trabalhar num local assim. Eles foram constantemente insultados, pressionados e questionados. E é preciso responder à letra. Eu sei que eu não conseguia, porque em poucas horas estava prestes a mandar um berro a pedir por silêncio. Parece que as pessoas só vêem a sua própria dor, e esquecem-se de tudo o resto, mesmo do civismo e da educação.

Moral da história, quando chegou a minha vez de ser atendida, a senhora demorou imenso, para acabar por me informar que só poderia marcar uma consulta para dia 9 de Setembro. Eu ri-me e disse não, obrigado.

Saí de lá e agradeci. Por não precisar de estar sempre ali, e por ter um outro entendimento no que toca à saúde. Agradeci muito. Agradeci ainda mais por a escola de condução ter um médico designado que pode passar atestados médicos, e eu não precisar de repetir este processo. Agradeci por não ter de conviver mais com velhinhas doentes e chateadas. Agradeço muito.

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