Mrs Carter Show e apreciações à sociedade

Ontem fui ao concerto da Beyoncé (o primeiro de dois em Portugal, no âmbito da Mrs Carter Show World Tour) e devo dizer que foi um espectáculo inigualável. A senhora é uma Diva, sim com “D” grande! Arrasou o palco, emocionou as pessoas e mostrou-nos aquela voz que só pode ser uma dádiva divina.

Eu claro adorei todo o processo do concerto. E aproveitei-o ao máximo. Acho que quando pagamos (e por vezes não é pouco) por espectáculos temos de aproveitá-los assim mesmo, do início ao fim, sem perder um segundo.

Porém, mais do que falar-vos sobre a experiência venho falar-vos de algo que me incomodou muito, e que não tem a ver com o concerto em si, e sim com a sociedade em que vivemos.

A realidade é que uma boa porção das pessoas presentes não esteve realmente lá durante a maioria do espectáculo. Isto porque, infelizmente, estavam muito ocupadas a filmar, tirar fotos, fazer chamadas e mandar mensagens, ao invés de realmente estarem presentes no momento. Parece que o facto de poder trazer cá para fora é mais importante do que estar lá dentro.

E isso chateia-me. Não só tapam a vista aérea para quem quer realmente estar presente, como para mim não aproveitam a experiência na sua totalidade.

Esta é uma realidade cada vez mais comuns no mundo do espectáculo, e eu vejo principalmente nos concertos. E só mostra como a nossa sociedade está.

Estamos sempre tão preocupados a mostrar aos outros quem somos, o que temos e o que fazemos, que nos esquecemos de ser, ter e fazer. Estamos tão preocupados em partilhar a nossa vida (seja no Facebook, Twitter, Instragram, Tumblr, etc) que nos esquecemos de guardar as recordações na memória, e interiorizar toda a experiência.

Isso apenas retrata a sociedade mesquinha e superficial em que vivemos e que nos rodeia, e mesmo que nós não queiramos viver dentro ou perto dela, esta invade a nossa vida, o nosso mundo e espaço pessoal – sem sequer pedir licença.

Eu acredito que é mais importante ser, estar, fazer, viver, do que gravar para a posterioridade. Não menosprezando claro essa última vertente, que também é muito útil, para mais tarde lembrar quem fomos e de onde viemos de uma forma mais concreta.

Considero que os artistas também devem ser contra isto e devem sentir a diferença. Um público com a câmera na mão não salta, não canta, não dança, não vive. E o objetivo é que façam tudo isso. Creio que até pode chegar a ser frustrante.

Então, a vocês, membros desta sociedade distorcida, apelo: que vivam o momento, tirem tempo para aproveitá-lo e criar memórias; não se distraiam com coisas supérfluas, porque estas desaparecem com o tempo; aprendam a dar importância às coisas pequenas, aos momentos aparentemente insignificantes, porque no fim são esses que ficam; e sejam feliz, da vossa forma, sem se importarem com o que os outros pensam – afinal os outros não vão viver por nós.

Eu também me aplicarei para fazer o mesmo. Juntos podemos mudar o rumo desta sociedade.

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