Praxe (sem s)

Após muito prolongar a minha decisão de escrever sobre o assunto, hoje tornou-se inevitável. Quem não ouviu falar da tragédia que aconteceu no Meco, na qual um grupo de 6 jovens faleceu? Jovens estes, alunos da Universidade Lusófona, foram levados pela força do mar, que não tem piedade nem pede desculpa ou licença.

Não consigo nem imaginar o que os familiares, amigos e conhecidos estão a passar, e espero do fundo do meu ser que encontrem paz.

Mas este texto não será sobre isso, mas sim pela polémica que envolve a praxe que daí advém, isto porque, aparentemente, estes jovens estavam no local por algum motivo ligado à praxe.

Desde que se descobriu essa vertente são cada vez mais os textos de ódio e repugnância relativamente à praxe. Querem bani-la, erradica-la e generalizam-na.

Eu sou caloira, fui, sou e serei praxada, porque tenho o direito a sê-lo, e sinceramente não estou disposta a deixar que um acto de extremismo ou de irresponsabilidade me tire esse direito. Acho injusto que ponham tudo no mesmo saco, porque quem defende e pratica uma praxe responsável e com valores fundamentados não pode nem deve sair prejudicado porque existem pessoas que não conhecem os limites do bom senso.

Considero ridículo pessoas que não passaram pelo processo chamarem-no de humilhante, bárbaro, sádico e tirânico (só para mencionar alguns da longa lista). Novamente, generalizam-no. É completamente natural que o processo mude de universidade para universidade e de curso para curso, mas o objetivo principal é sempre o mesmo: integrar os recém-chegados à sua nova casa e à sua nova família.

Eu tenho muito orgulho na praxe, aquela que me ensinaram a amar. Muito orgulho dos meus colegas, que aguentaram a meu lado as flexões, os gritos, a voz rouca, as formas estranhas de comer. Pessoas que tive de conhecer e aprender a conviver num curto espaço de tempo, numa espécie de instinto de sobrevivência selvagem: é a lei do “mais forte” contra a lei da “união faz a força”.

Tenho muito orgulho em todos os trajados: veteranos, doutores e pastranos, que nos ensinam a postura, o respeito e mais inúmeros valores preciosos para o futuro, que nos inspiram todos os dias a ser melhor. Que mesmo gritando connosco, no fundo preocupam-se, e fazem as coisas para o nosso proveito. Para tal, “perdem” tempo das suas vidas, para organizar jogos e atividades. E quando eles cantam… para mim quando eles cantam o mundo pára, a pele arrepia-se e não há música mais linda no mundo. Orgulho e admiração, e no fundo alguma esperança de algum dia poder chegar a ser assim.

Tenho orgulho nos meus padrinhos e irmãos de praxe, e em todo resto da família, porque é isso que acabamos por ser. Somos um: um curso, com uma só voz, que grita “Aqui vai GRH” por onde quer que passa.

E é este orgulho que não me deixa ficar calada enquanto difamam a praxe.

DVRA PRAXIS SED PRAXIS – A praxe é dura, mas é a praxe

Tudo se resume a isso, não importa o que “sofremos” ou que as pessoas de fora pensam. O que aprendemos ultrapassa tudo isso. As amizades constroem-se, o respeito ganha-se, e nós felizes, cantamos.

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