Mais uma alma encontrada

Ontem, dia 5 de Outubro, faleceu uma pessoa muito especial para mim: o meu pai de fé, Revmo. Tetsuo Watanabe. E quando estas coisas acontecem ninguém sabe muito bem como lidar, tantos sentimentos se manifestam em tão poucos segundos.

A princípio não acreditei, não podia ser verdade. Como? Porquê? E agora? Fiquei sem reação durante algum tempo, demasiado tempo. Depois só veio o questionamento, não conseguia perceber e queria entender, mesmo sabendo que as minhas perguntas nunca teriam respostas. Tão de repente, sem aviso. Porquê?

Chorei, muito… Lembrei de todos os momentos que passei com ele, momentos pontuais, um aperto de mão rápido, uma troca de palavras, um sorriso, um obrigado. Lembrei da minha primeira missão de servir que foi para ele, em 2005. Lembrei das vezes que o vi no Japão e no Brasil. Lembrei da última palestra que presenciei dele, em Maio do ano passado. Lembrei dele. Da sua figura carismática, cativante, sincera, pura, iluminada. Das multidões que ele movia por amor à obra e entrega total a Deus. E por causa disso fiquei revoltada por momentos. Porque raio é que as pessoas de bem é que se vão?!

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Dada a minha revolta interior não consegui perceber como é que as pessoas estavam a reagir tão bem face ao incidente. Como podem continuar a sorrir? Mas isto é só o meu eu egoísta e material.

Porém, acredito que agora já aceitei e melhor compreendi a sua passagem. Esta coisa de acreditar na vida depois da morte tem muito que se lhe diga, porque no papel é uma coisa, mas quando a realidade bate à porta, tudo pode mudar, e até a estrutura melhor fundamentada pode abalar. E abalou. Mas agora está novamente fixa, direita.

Agora sei, acredito piamente que a sua passagem lhe vai permitir fazer mais, ser mais, estar mais. Está de novo na terra natal, daí ser mais uma alma encontrada… E o importante: o seu caráter, o seu sentimento, os seus ensinamentos ficaram e ficarão sempre connosco. A vida das pessoas está muita para além do corpo, está nas palavras, nas ações, na postura, essas serão nossas eternamente.

Achei importante escrever este relato, porque tal como eu tive sentimentos menos positivos em relação a esta nova dinâmica, muitas outras pessoas poderão ter, e se poder ajudar uma delas a mudar o seu sentimento, então estarei a fazer dar vida ao que ele nos ensinou.

Agora só sinto gratidão, por tudo o que ele foi, é e sempre será. Agora mais presente, sem as limitações do corpo, poderá trabalhar mais, dedicar mais, servir mais. E com a nossa gratidão, que não é pouca, poderá elevar~se.

Cito agora um trecho de uma entrevista que ele realizou em 1995 (à Sra. Thaís Alves):

“Algumas pessoas dizem que chorar pelos nossos mortos, é apego de nossa parte. E digo: por favor,chorem seus mortos. Não é esse um choro de tristeza, nem um choro querendo que a pessoa volte. É um choro de saudade, um choro que quer relembrar os maravilhosos momentos vividos, juntos. Chore pela emoção da vida vivida. Ofereça suas lágrimas em memória aos bons momentos. Que esse choro seja um agradecimento por tudo de bom que a pessoa lhe deu. Chore todo seu amor, pois só o tempo vai tapar esse buraco dentro do peito, por onde até o vento passa. Se a pessoa queria fazer alguma coisa, que não teve tempo, faça você em seu lugar. Isso a ajudará a elevar-se no mundo espiritual.”

E com isto me despeço, e se quiser chorar, chorarei, mas agora que estou mais numa onda de sorrir e agradecer, com eterna gratidão e carinho no coração.

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