Angola – Conclusão

Agora já de volta ao meu lar, é me permitido parar para pensar.
E no que toca à reflexão de todo o processo, creio que existem três componentes diferentes: o país, as pessoas e a minha família.

Quanto ao país é inquestionável o progresso e o desenvolvimento que este está a sofrer. Realmente está muita coisa a acontecer, e Angola encontra-se em mudança, como se finalmente tivesse despertado após a guerra.
Mas ainda há muito por onde melhorar. E por um lado isso é uma coisa boa, para dar a sensação de que precisam sempre de ir mais longe, e às vezes mais perto, voltando aos básicos.
Na realidade, o que falta realmente é o básico: a educação, o saneamento básico, o emprego digno. E só depois disso ser implantado é que se deveria virar para os grandes condomínios luxuosos, os aranha-céus.
A recolha do lixo ainda é insuficiente, e isso em conjunto com a mentalidade estabelecida na população de que não faz mal deitar lixo para o chão, torna as cidades mais sujas.

E daí víramos-nos para as pessoas. Estas dependem da educação, que parte de casa e da tradição, antes mesmo de ir para as escolas. Só quando as ideias mal concebidas forem desmascaradas, é que a sociedade vai poder ir para a frente.
Se as pessoas não forem educadas e ensinadas a não por o lixo no chão, ou no caso a por o lixo nos contentores, nem valerá de nada colocar contentores nas ruas. O mesmo acontece com o saneamento: se as pessoas não souberem como usá-lo, vai ser como se ele não existisse.
Portanto, para mim, tudo parte da educação das pessoas.
Também acho necessário que se pare de pensar na minoria que são os ricos, e começar-se a pensar na maioria que são os pobres, as pessoas com casas sem saneamento, sem a educação básica, sem emprego. Esses são os que precisam de ser protegidos. Por isso, mesmo quando toda a gente me diz que Angola está melhor, eu ainda não acredito completamente. Mesmo que em comparação ao passado realmente o esteja, ainda há muito caminho por ser percorrido.
Quando se fala no desenvolvimento cada um tem a sua opinião do que falta, do que é essencial, do que é primário, e para mim é o descrito acima: consciência e educação.

Mas vamos continuando, senão nunca saio daqui. Passemos à minha família. Apesar de ser sempre bom rever as pessoas, nós que viemos de fora, somos rapidamente bombardeados com os problemas que se passam lá. Problemas constantes e ainda não solucionados.
E como presunçosos que somos achamos que temos logo de solucionar tudo, e passamos por sabichões. É sempre um desafio ficar calado, quieto, à espera que de facto nos peçam um conselho ou ajuda. Já aqui partilhei a necessidade de ouvir, simplesmente ouvir, sem querer aconselhar e colocar a nossa força. Mas digo-vos que desta vez foi difícil! E por vezes nem deu para segurar. Principalmente porque algumas coisas nos parecem tão simples e evidentes. Mas sendo família sempre fica tudo bem.

Em suma, foi uma viagem, que para mim serviu também para sentir gratidão por tudo o que eu tenho aqui, todas as condições e facilidades que lá não existem. Revi a família, visitei novos sítios, voltei às raízes.
Mas agora estou de volta, e com gosto de estar.

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