Angola – Parte 2

Oh, e a saga continua!

A semana começou com um jantar no Belas Shopping, onde comemos hambúrguer, outra vez, e por favor não julguem os meus pais, nós somos muito persuasivas… Comemos no American Hot Dog, e para ser sincera, não gostei muito… Preferi os de rua aos que comemos lá, mas isto sou eu… Só experimentando é que podem dizer.

Terça, fui à sede central da I.M.M.A., que é simplesmente um paraíso, no meio da confusão da cidade. Um sítio para parar e respirar, apreciar as plantas e ver os pássaros a saltitar dum lado para o outro.

Nós no Interior

E foi também nesta semana que aumentámos o nosso raio de influência, quando partimos rumo ao Seles, terra natal da minha mãe e dos meus avós maternos. Fomos por curiosidade, e sobretudo para conhecer a minha bisavó, por parte da minha avó materna.

Foi uma viagem longa, com umas tantas paragens para comer, e comprar produtos frescos à beira da estrada. Sim!, porque para quem não conhece Angola, eu explico: as ruas são uma espécie de lojas sem paredes, e várias pessoas vendem nelas, algumas literalmente no meio da estrada. E são produtos diversos, desde comida, a coisas para a casa, higiene pessoal, realmente tudo o que possam pensar.

Então, no meio da estrada, no meio do nada, é normal surgirem “mercados” ocasionais, a vender peixe seco, legumes, fruta, comida pronta a ser digerida, etc…

Lavadeiras à beira do rio. Após lavarem, estendem a roupa no chão.

Lavadeiras à beira do rio. Após lavarem, estendem a roupa no chão.

Agora existe uma auto-estrada, o que facilita em muito a deslocação das pessoas até às províncias, mas antigamente era uma viagem esgotante, e só para os fortes. Felizmente, há cada vez mais autocarros que fazem o eixo entre a capital e as províncias do interior, dinamizando novas áreas, que antigamente estavam ao abandono.

Uma rápida paregem no Sumbe, para conhecer a família do meu avô, e rapidamente chegamos ao Seles. É uma terra bem marcada pela guerra, pelo abandono dos colonizadores, e pelo atraso no desenvolvimento.

Porém, fomos muitíssimo bem recebidos. Eu e as minhas irmãs conhecemos família que nem sonhávamos ter! Só comidas deliciosas, atenção redobrada e puro amor e alegria.

Família, ou melhor, parte dela

Família, ou melhor, parte dela

Notei também o forte peso da tradição. Hábitos que não mudaram ao longo dos tempos, mesmo com a modernização. Por exemplo, nenhuma tia se sentou à mesa, connosco, “as visitas”. Todos, homens e mulheres, esperavam que nós servíssemos a comida, e somente depois se serviam, e no caso das mulheres tinham de comer na cozinha isoladas. Mesmo com os convites insistentes que fizemos para que comessem connosco, continuaram assim, do primeiro ao último dia.
Outro ponto, que a minha mãe sempre ressaltou, é que guardam sempre o melhor para os convidados, desde as camas, a comida, etc… Entregam tudo o que têm de melhor, para que as pessoas se sintam bem, e em casa.
Também, formam uma espécie de círculo, quando vêm visitas. Como as casas são muito próximas umas das outras, as visitas centralizam-se numa casa, que se torna a principal, por norma, onde dormem e comem. E todas as casas e família adjacentes contribuem em cada refeição. Por exemplo, se um mata a galinha, o outro oferece as verduras, o outro o cabrito, o outro o funge, e daí em diante. É uma colaboração pura, sem pedir nada em troca.

Mas agora falemos do real motivo da nossa viagem: a minha bisavó. É uma senhora já muito velhinha, com 85 anos. Muito tímida, recolhendo-se sempre a um canto, sossegada, falando sempre baixinho. Realmente admirável. Com a idade que tem continua a ir até à horta, ou lavra, como lá se diz, e ainda faz a maioria do trabalho de casa, apesar de ter muita ajuda das filhas, sobrinhos e netos, muitos netos e bisnetos.
Transpira uma calma e uma serenidade sem precedentes, que eu fiquei a admirar muito. Talvez para as minhas irmãs não ficará tão gravada na mente, mas em mim ficou.

Dando continuidade ao tema da viagem, digo-vos que não foi fácil. Sobretudo o regresso a Luanda. Íamos completamente apertados, devido à quantidade de mercadorias, isto é, comida, que levávamos. Desde banana, a fuba, amendoins, cabrito, rato fumado (sim, a minha família louca come rato!!!! nem acredito que estou relacionada a eles).

Passamos pelos rios Kwanza e Keve, por Porto Amboim, e inúmeras pequenas aldeias pelo caminho.
Em suma, foi uma boa viagem, com um objetivo comprido, e uma moral para ficar: não tenha mais olhos do que espaço no carro.

Rio Keve

Rio Keve

De Volta à Cidade

Rio Kwanza

Rio Kwanza

E para terminar a semana, já em Luanda, nada melhor que um almoço de domingo! Não, errado!
Uma das coisas que eu não consigo assimilar na cultura angola, é o descaramento, a meu ver, das pessoas. Talvez na visão deles, um à vontade enorme.
Imaginemos: eu estou em minha casa, e fiz almoço para a minha família, se alguém chegar vai simplesmente pegar num prato e servir-se, talvez até primeiro do que eu.
Portanto, o que era para ser um almoço de cerca de 12 pessoas, transformou-se num almoço de 30, no mínimo dos mínimos. É o milagre da multiplicação dos convidados!!
E como já explanei aqui, não há coisa que eu deteste mais do que visitas inesperadas. E ainda por cima vieram crianças, mais tarde intituladas de macacos, que destruíram-nos a casa por completo. E a minha paciência não demorou muito a esgotar-se. E são estas coisas, à primeira vista pequenas e insignificantes, que apagam o resto de uma semana perfeita.

Ou seja, o domingo foi um desastre, mas a vida continua, certo?

Os Must’s

Já ontem referi alguns must’s, e hoje não vou-me ficar apenas pelos da cidade de Luanda, mas falar de forma mais global, visto que também viajei. Então vamos lá!

  • O Belas Shopping, sem dúvida é um local a visitar. Acho que se disserem que foram a Angola e não foram ao Belas, mandam-vos de volta. Eu continuo a preferir o meu Colombo, mas mesmo assim tenho de dar mérito ao desenvolvimento. Só aconselho que não vão ao fim-de-semana, especialmente domingo, porque o trânsito é completamente esgotante! Tem algumas das lojas que temos aqui, cinema e uma zona de restauração generosa, da qual saliento as pizzas do Paradyse, que não comi desta vez, mas na anterior, e a memória continua, por isso deve ser mesmo boa.
  • Churrasco feito da rua! Nossa, é uma violência de tão bom! Parece que o pó da rua lhe dá mais sabor. Nós estamos sempre a comer, e durante a viagem, numa das paragens, foi a nossa salvação para o resto do caminho: uns bifes grelhados com cebola e batata frita. O que mais se pode querer?
  • Fruta, muita fruta. Não se pode sair de Angola sem comer “fruta de verdade”, como diz a minha mãe. Desde banana “que cheira a banana”, palavras dela, não minhas, ao abacate, maracujá, manga, goiaba, sape-sape (este então é um dos grandes vencedores para mim). Têm de provar alguma, senão todas, e sem medos, porque parecem estranhas ou porque nunca provaram antes. Mergulhem de lábios e dentes e serão bem sucedidos. Infelizmente, eu não fui em tempo de manga, meu fruto preferido, mas deu para matar as saudades do sape-sape, da banana, do abacate e da banana-pão.
  • Bombom frito, também na rua. Bombom, que para ser sincera nem sei que está escrito corretamente, não é nada mais do que mandioca. E frito é uma delícia. Usualmente acompanha-se por amendoins assados, mas eu gosto dele sozinho. Também pode ser assado, e onde virem isso o mais provável é também ter banana assada. Se sim, comprem e não vão arrepender-se.
  • Já que estamos numa onda de comida, peço-vos que experimentem todas os pratos típicos, desde o funde, ao calulu, ao feijão de óleo de palma. Mergulhem nesses pratos, sem medos, sem receios e sem ideias pré-concebidas. No mínimo provem, se não gostarem não faz mal, mas assim não ficarão a pensar que talvez deviam ter experimentado.
  • A cidade do Kilamba. Uma urbanização recente, que lembra uma que não pertence a Luanda. Visitem só pelo valor arquitetónico, ou para ver até onde vai o desenvolvimento. Eu e a minha família gostamos muito, e por nós até comprávamos já lá um apartamento!

E assim termina a segunda semana, com altos e baixos. Amanhã há mais!

Anúncios

Comenta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s